Singularity – Capítulo 32

 

Paciência

Nota: Esse capítulo acaba na Quarta Feira, 13 de Abril de 1948

Eu corri pela estrada tão rápido que ninguém poderia ter me visto, e somente desacelerei quando minha mão tocou a porta. Eu entrei e foquei no homem baixo mancando que estava ocupado alcançando um hambúrguer para um freguês. Ele olhou para mim quando ouviu o som da porta. O cozinheiro tinha um avental oleoso com a palavra “Marty” costurado nele, e me comprimentou enquanto eu entrava.

“Oi, boneca. Já te sirvo,” então ele sorriu e pegou duas bebidas para dar para outros freguêses no balcão. Eu olhei ao redor e vi as cortinas vermelhas xadrez e as paredes amarelas. Eu podia me sentir tragada pela alegria de ter encontrado o lugar certo.

Eu tinha conseguido! Estava tudo dando certo! Eu ia encontrar ele!

A realidade mergulhou na minha cabeça e me atingiu com uma onda fresca de alegria cada vez que eu percebia algo que eu tinha visto antes.

Muitos homens velhos estavam em sofazinhos sendo servidos por uma mulher mais velha em uma roupa de garçonete rosa. Homens jovens também estavam dispersos. Todos eles tinham as máscaras inconfundíveis de guerra.

Um pequeno impacto vindo detrás me assustou e eu virei, rápido demais, para ver o que tinha esbarrado em mim. Primeiro tudo que eu vi foi um enorme chapéu xadrez. Depois o chapéu se inclinou para revelar um rosto jovem de um menino negro. Ele estava olhando para mim com olhos enormes e aterrorizados.

“Me… me desculpe, senhorita,” ele gaguejou enquanto recuava.

“Está tudo bem,” eu disse. “Não se preocupe com isso.”

Os olhos castanhos grandes do menino me encararam, então ele engoliu e me alcançou um jornal com as mãos tremulas. “Você quer um jornal, Senhorita?”

“Sim, eu adoraria um,” eu disse enquanto eu sorria e deixava uma moeda cair em sua mão pequena e trêmula, assim como eu devia.

“Então, o que você deseja, senhorita? Você ainda não me disse,” Marty disse, assim como ele deveria.

Mas eu não tinha idéia do que dizer. Eu virei para o pequeno garoto e calmamente disse, “Do que você gosta?”

Seus olhos me olharam incrédulos, então se encolheu e sussurrou, “Eu gosto de coca cola de cereja com cereja extra e uma cereja no topo. Eu gosto muito de cerejas.”

Me tomou um momento para responder ele. Eu estava muito ocupada lutando contra o choque e a raiva. Eu tinha passado duas horas de ponta cabeça numa arvore para me livrar da coisa grudenta com cheiro de cereja. Eu ainda sentia o gosto sobre o sangue de veado que tinha comido para me livrar do sabor. Coca Cereja e sangue ficavam horríveis juntos. Eu tinha até arrotado em publico, e foi tudo em vão. E ainda não era nem o meu para mim.

O jovem garoto estava recuando enquanto as emoções cruzavam meu rosto. “Está tudo bem,” eu sorri para ele. “Não se preocupe, só estava lembrando algo. Por que você não pede seu preferido?”

Ele olhou cautelosamente para mim e acenou, mas não se aproximou uma polegada. Criança esperta.

“Uma coca cereja com uma cereja em cima,” eu disse para Marty com um sorriso.

Ele deu de ombros e mancou para pegar a bebida. Eu o daria uma boa gorjeta.

“Há quanto tempo esse lugar está aberto Marty?” Eu tinha que saber como o havia deixado passar.

“Eu abri logo depois da Primeira Guerra Mundial em 1920. Perdi a perna velha para a gangrena na guerra e eu paguei o pagamento inicial com minha pensão. Eu não consegui durar com a Crise, então eu fechei as portas em 1931. Eu tive dinheiro suficiente para reabrir semana passada, mas o banner não apareceu até hoje. Eu estava tão ansioso para reabrir que a tinta nem estava seca no primeiro dia.” Ele riu jovialmente e me alcançou a bebida.

Eu a dei para o garoto que tomou em alguns goles, sorriu largamente e saiu pela porta.

Marty estava cozinhando de novo. Eu olhei ao redor para cada homem no cômodo. A maioria deles estava olhando para mim cautelosamente, mas não com medo. Esses eram soldados, necessitava muito para assustar eles. Eu acenei para cada um e eles retornaram o cumprimento.

“Esses dois velhos são Rod e Dom, eles estavam na Guerra Espanhola com Teddy, e os dois foram na Primeira Guerra Mundial também. Do outro lado estão Tom, Looney e Dick. Eles lutaram na Primeira Guerra Mundial e venceram a armada de Hitler nessa. Os mais jovens atrás de você são Clancy, Joe e John. Eles estavam todos nessa guerra, e cada um foi machucado. Meu restaurante sempre foi para soldados.”

“Apropriado,” eu murmurei para mim mesma, e então vi Marty levantar uma sobrancelha. “Meu parceiro, Jasper, é um soldado também. Ele me disse para esperar em Philly por ele, então aqui estou eu.” Eu tentei dizer isso indiferentemente, mas minha vida inteira esteve presa nessas palavras.

Repentinamente, o rosto de Marty ficou estranho. “A maioria das garotas não esperam,” ele disse mais para si mesmo do que para mim, “e elas não ficam paradas. Se você está esperando para seu rapaz retornar, você está no lugar certo.” Ele sorriu para mim calorosamente, e entao sussurrou, “A maioria desses caras perde suas moças durante a guerra. Vou te dizer, fique aqui e espere por ele. Esse é o seu lugar doçura. Se você está esperando um soldado, vamos esperar contigo.” Ele sorriu para mim e foi fritar algumas batatas na grelha.

Minha mente estava girando em cem direções diferentes de uma vez só.

Primeiro, eu ainda estava chocada, se isso era possível, que eu estava realmente e verdadeiramente sentada no lugar certo. Finalmente. Esse lugar era tão certo. Um restaurante cheio de soldados solitários e um cozinheiro amigável. Era como se o universo tivesse feito esse lugar só para mim.

Segundo, eu estava imaginando como eu ia “comer” toda a comida que seria requerida. Eu definitivamente não iria engolir nada disso com a possibilidade de que Jasper iria entrar pela porta qualquer hora. Não havia forma alguma de eu tossir comida na frente dele.

Então, tinha todos os outros detalhes que precisavam ser derrotados. Onde eu passaria as noites? Quando eu caçaria? E os dias ensolarados? Banhos? Repentinamente, eu estava questinando tudo que eu tinha trazido comigo. E se ele não gostasse do cheiro do shampoo ou bolhas de banho? E se ele não gostasse de minhas roupas?

Eu estava em pânico e esse era o dia mais feliz da minha vida!

Repentinamente, a visão de Jasper me envolveu inteiramente. Eu nunca tinha tido uma visão tão forte. Eu podia ouvir cada gota de chuva, cada conversa, cada item cozinhando na grelha. Eu podia ver cada detalhe do restaurante claramente, eu podia ver os arco-íris nas gotas de água das janelas. Cada mancha de óleo no avental de Marty, e cada arranhão e entalhe na bancada em que eu estava. Eu ouvi o tintiliar do sino e o ranger da porta enquanto Jasper a abria. Ele entrou e olhou ao redor, e eu pude finalmente ver ele. Cada maravilhoso fio de cabelo dourado, cada marca de mordida crescente, cada gota da chuva na sua pele de cristal gloriosa. Eu só tive um vislumbre de seus olhos, seus olhos negros, tristes e amedrontados enquanto eles se pausava em mim e registravam o primeiro choque de me ver nesse lugar antes da visão acabar.

Eu estava de volta no banco, sem respirar, sem me mover, e sem entrar em pânico. Ele viria na chuva, durante o dia, quando os ônibus corriam. Ele viria. Eu fechei meus olhos e fiquei em gloria pela visão e pela certeza que eu estava onde deveria.

“Tudo bem, boneca?” Marty me pediu enquanto limpava suas mãos no avental.

“Oh, sim, estou bem.” Estou perfeita! “Eu só estava tentando pensar em onde ficar,” eu respondi sinceramente.

“Dom! Ei, Dom!” Marty gritou pelo cômodo. “O hotel Keystone ainda está aberto, ou fechou também?”

“Não, está aberto, mas ainda é barato e maltrapilho. Por que?”

“Essa pequena dama está esperando pelo seu cara voltar da guerra, e ela veio aqui procurar.” Ele sacudiu seu dedo para mim.

“Bem, é o mais perto, mas… você sabe que eu não gostaria que uma dama como ela ficasse num lugar como aquele. Sem ofenças doce, mas você parece muito elegante para aquele lugar,” ele disse olhando para mim. “Melhor descer mais alguns quarteirões e ir para o Sleepy Quaker.” Ele apontou para um pouco abaixo da estrada.

“Obrigada,” eu disse, tentando não rir de sua taxação sobre mim. Eu olhei estrada abaixo, e um sinal velho, tinindo me mostrou a localização de Keystone Inn. Parecia horrível, mas eu conseguia ver o restaurante de sua janela no segundo andar. Eu não precisava me preocupar com sujeira ou vermes ou homens. Nem um rato ou barata ousaria ficar perto de mim. Tudo que eu precisava era de um lugar para me esconder do sol, olhar o restaurante e tomar banho.

Então, o sol brevemente apareceu pela grossa cobertura de nuvens. Eu precisaria ficar aqui nas sombras, ou ir. Por mais que eu odiava fazer isso, eu decidi caminhar enquanto as nuvens duravam. Eu precisava mover meu carro e alugar um quarto em Keystone.

“De qual ramo ele é?” Me perguntou um dos homens assim que me levantei para partir. A questão veio da mesa dos homens mais jovens. Eu virei para ver três rostos, todos eles tinham o mesmo olhar cansado e amedrontado do rosto de Jasper. Dois rostos tinham cicatrizes menores, mas o terceiro tinha sido absolutamente demolido.

“Infantaria,” eu respondi. “Ele me disse para esperar nessa parte da cidade, então ficarei aqui até ele chegar.” Todos os três assentiram e rapidamente desviaram o olhar.

“Marty, muito obrigada pelo convite, e eu estarei aqui sempre que puder, prometo. Mas eu não vou estar aqui nos dias de sol. Eu planejo ficar fora e talvez achar trabalho. Te vejo amanha, OK?”

Marty sorriu para mim e assentiu. Eu sai para alugar um quarto e pensar sobre amanhã. Meu coração pesava em seu ponto silencioso assim que eu percebi que não iria chover amanhã. De qualquer forma, eu estaria ali, o dia inteiro se necessário, esperando.

Eu conheci todos os fregueses regulares e muitos dos não regulares pelas próximas semanas. Em fato, eu sabia mais que eu queria ou precisava saber, mas isso me ajudou para o tempo passar rápido, e eu precisava toda a distração necessária.

Marty e sua irmã Marge trabalhavam no restaurante com a esposa de Marty, Angie, que ajudava quando necessário. O lugar estava geralmente cheio, principalmente quando chovia. Isso era perfeito para mim por que eu não chamava muita atenção numa multidão.

Marge não estava casada, e nunca havia sido. Ela era uma pessoa fechada, fria como um iceberg, e eu me perguntava o que havia acontecido para quebrar seu coração. Embora solteira, eu tinha certeza que ela tinha a figura de uma mulher que tinha sido mãe de pelo menos um filho.

Marty e sua esposa estavam muito apaixonados depois de todos esses anos, e todos na vizinhança pareciam idolatrar Marty. Eu me perguntava se eu estaria aqui tempo o suficiente para descobrir o por que.

Rod, Dom, Tom, Looney e Dick eram todos da vizinhança e agiam como irmãos. Irmãos maus. Tão maus que suas esposas não os queriam por perto durante o dia, a razão pela qual eles vinham para o restaurante de Marty para almoçar todo dia. Eles gastavam todo seu tempo arremessando insultos e desafios ao outro. Queda de braço era uma atividade constante, assim como fazer pilhas de palitos e arrotar. Eles jogavam muito cartas, e eles repassavam suas batalhas e historias todos os dias. Ás vezes Clancy, Joe e John se juntariam, mas geralmente, eles sentavam e conversavam. Clancy e John estavam esperando suas feridas sararem para poderem achar trabalhos ou ir para a escola. Joe estava cego e quebrado. Ele havia perdido sua garota, uma que ele realmente deve ter amado, e então perdeu sua visão e metade de seu rosto para uma granada. Ele podia ver formas, algumas cores, e luzes, mas era tudo. Era difícil para mim olhar para seu rosto destruído por muito tempo. Era muito trágico, e eu estava cansada de vidas trágicas.

Dias ensolarados e noites trouxeram rápidas viagens de caça, ou somente observar o restaurante. Embora eu soubesse que Jasper não viria de noite ou na luz do sol, eu não podia me afastar do restaurante por muito tempo, então caçava nas florestas próximas. Além de caçar brevemente, eu observava o restaurante constantemente. Enquanto eu observava, eu tentava ver Jasper ou uma parte de nosso futuro. Eu podia nos ver caminhar para meu carro embaixo de meu guarda chuva preto, eu podia nos ver correndo na floresta em algum lugar, e eu podia ver uma visão horrível que eu chamava “Jasper correndo.”

Essa visão acontecia frequentemente e claramente. Eu a odiava. Era de Jasper, um olhar de medo incomodado em seu rosto, fugindo de mim. Eu estava desesperadamente e intermitentemente chamando por ele.

Assim como Edwina tinha previsto, eu tinha assustado ele.

Essa visão me incomodava mais do que qualquer outra coisa tinha no passado.

Eu sabia que tinham sido as minhas visões que tinha assustado ele. Eu era de verdade uma aberração. De alguma forma, eu tinha que o conhecer sem assustá-lo. Em todo meu sonho, eu tinha esquecido o dano que toda a luta e matança deve ter causado nele. Eu passei a maior parte do meu tempo sozinha tentando achar modos de me apresentar e falar com ele sem envolver a visão do Jasper correndo. Eu queria a apresentação perfeita quando nos conhecêssemos. Afinal, primeiras impressões são as mais importantes.

Meus dias de chuva eram gastos ouvindo as historias e cantorias de soldados. Nesse paradoxo estranho que era minha vida, eu cantava para eles por que eu tinha me visto cantar. No começo, eram algumas preferidas para os mais velhos como “Danny Boy” e “The Yanks Are Coming.” Depois eu adicionei algumas canções de amor modernas para os mais novos. O olho de Joe se enchia de lagrimas toda vez que eu cantava.

Pelas primeiras duas semanas, eu praticamente borbulhava de alegria toda vez que eu entrava no restaurante. Pela primeira semana de abril, eu estava começando a entrar em pânico de novo. Chuva seria menos freqüente nas duas próximas semanas, e minhas chances de ver Jasper estavam piorando. Eu simplesmente me recusava a acreditar que teria outro ano. Meus nervos não podiam agüentar isso. Toda vez que um ônibus freiava, ou alguém dizia “Ei Alice,” eu quase pulava. Eu estava tão no limite que não conseguia cantar mais.

Os “garotos” no restaurante viam pela minha fachada cuidadosa facilmente. Pelo fim de março, os maravilhosos guerreiros começaram a falar pequenas palavras de encorajamento para mim. Eu estava envergonhada pelo quanto eu precisava dessas palavras.

“Não desista, Alice!”

“Ele vai voltar por uma garota como você, doçura.”

“Nunca desista dele.” Isso era o que Joe dizia baixinho toda vez que passava por mim ou eu passava por ele. Era uma frase simples, mas ele dizia com tanta emoção que poderia ter preenchido um livro. Suas palavras me enchiam com profunda determinação de não deixar o tempo me frustrar.

Mesmo assim, no começo de abril, eu não estava mais feliz ou saltitante. Eu estava nervosa e frustrada, mas eu estava tão determinada quanto esses soldados em não desistir.

Eu estava sentada em meu banco, distraidamente colocando batatas fritas na minha bolsa gigante que eu havia comprado para esconder comida, quando um pequeno milagre ocorreu. Eu estava lendo o jornall, sabendo muito bem que Jasper não viria hoje por que os ônibus não passam nos domingos, mas tendo que sentar não importando o que, quando uma jovem mulher entrou no restaurante. Ela estava mais vestida como eu do que como os locais, em boas roupas feitas de seda e lã, e tinha um chapéu com uma pena. Ela não era bonita, nem um pouco, mas ela tinha um rosto agradável e amigável..

Ela estava muito agitada.

“Marty!” ela disse com um tom de alivio. “Eu não achava que você havia aberto o restaurante de novo. Estou tão feliz de te ver.” Ela caminhou audaciosamente e sorriu um sorriso caloroso apesar de sua irritação obvia.

“Então você volta aqui depois do que fez? Você acha certo? Você acha que vai machucar ele de novo?” Marty sibilou de volta. Eu parei, chocada pela explosão de raiva de Marty. Os “garotos” também pararam, e enfileiraram para bloquear a metade de trás do restaurante.

“Meu pai fez a gente se mudar Marty,” explicou a mulher. Ela estava recuando agora, seu rosto ficando vermelho e seus olhos se enchendo de lágrimas. “Ele disse que Joe estava morto. Morto! Ele disse que ele havia morrido com uma bomba, então eu não voltei. Eu morri quando meu pai me contou, Marty, eu morri.” Ela estava chorando agora.

A voz baixa de Joe pareceu trêmula de trás. “Lizzy? Lizzy é você?”

A parede de homens se partiu para deixar Joe passar, e eu percebi que eles estiveram protegendo ele. Seus rostos e o de Marty estavam travados em olhares duros. Eles não tinham certeza do que aconteceria agora, mas estavam preparados para tudo.

Eu prendi minha respiração e esperei. A jovem mulher ficou congelada, seus olhos arregalados enquanto ela percebia o rosto destruído e arruinado do homem que ela amou uma vez. Meu peito ficou gelado enquanto eu assistia, imaginando como Joe agüentaria seu amor o deixando de novo. Seria isso que aconteceria, ela iria partir. Como uma mulher jovem poderia amar tal dano?

Então, o milagre aconteceu. Ela respirou fundo, caminhou até Joe, e tocou seu rosto quebrado no ponto mais cicatrizado. A mão dele pegou a dela e apertaram uma a outra. Lágrimas estavam escorrendo de seus rostos enquanto os dois começaram a sorrir, ela com lábios amáveis, e ele em um sorriso permanente.

“Oh, Joe,” ela sussurrou, e então ela estava em seus braços, e eles foram cercados por seus camaradas discretamente aplaudindo. Meu rosto pareceu estranhamente esbaforido, e havia uma pressão estranha detrás de meus olhos, e eu soube que eu teria chorado também, se pudesse.

Todos começaram a falar de uma vez só. Ela estava tentando explicar por que não tinha retornado em meio de seus soluços, e ele a estava a perdoando em meio aos seus. Os garotos estavam comentando sobre vida e amor, e Marty ficou em seu avental dizendo, “Vejam só,” de novo e de novo.

Marge recuou para a parede e soluçou em seu avental manchado.

“Nós temos que contar a todos!” Gritou Looney da multidão, e eles começaram a ir para a porta.

Joe pegou meu braço no caminho e ficou perto o suficiente de mim para eu poder olhar em seu olho danificado. “Nunca desista dele, Alice. Me ouviu? Nunca, nunca.” Suas palavras eram tão ferventes quanto antes, mas agora essas eram palavras de vitória ditas entre lágrimas de alegria.

Segunda, dia 12 de Abril estava com sol e claro, então eu só pude observar pela janela, enquanto Lizzy e Joe quase correram dentro do restaurante seguidos por metade da vizinhança. Momentos depois, eles emergiram seguidos por Marty, Angie e Marge que estavam exagerados com sua roupa e cabelo. Eu assisti a multidão ir rua abaixo e desaparecer pela esquina. Então eu os observei em minha mente. A visão me mostrou um lobby cheio na justiça do oficio da paz enquanto Lizzy e Joe casavam. Eu amaldiçoei o sol.

Eu passei o dia ensolarado decidindo como eu iria cumprimentar Jasper. Eu iria caminhar devagar, e somente ficar na frente dele para não o ameaçar. Então eu me apresentaria, o diria que estava feliz em conhecê-lo, e o convidar para caminhar comigo pela chuva. Eu estaria calma e muito adequada. Quando eu passava essa cena de novo e de novo em minha cabeça, não havia mais visão do Jasper correndo. Yay! Eu finalmente tinha conseguido. Eu o cumprimentaria calmamente e adequadamente, e então tentaria não o assustar.

Eu pude ir para o restaurante no momento que abriu na terça. Hoje seria um dia muito chuvoso, então, como em todos os dias chuvosos, meu carro estava empacotado e minha roupa perfeita, até demais para um lugar como Marty’s. Eu  tinha meu guarda-chuva em mãos.

“Você perdeu, Alice,” Marty gritou assim que abriu a porta.

“Fiquei sabendo. Desculpe. Eu realmente gostaria de ter visto eles se casarem.” Sol estúpido.

“Bem, eles vão vir aqui hoje dizer tchau. Eu tenho um cartão aqui, então tenha certeza que você assine, OK?”

“Onde eles estão indo?”

“Ela tem um trabalho muito bom em St. Louis trabalhando para uma companhia telefônica. Ela acha que consegue um trabalho para Joe lá, então eles vão pegando o trem hoje. Então, quer o de sempre hoje?”

“Claro,” eu ri, feliz com a oportunidade de dizer tchau para eles. Marty me alcançou a coca cereja, e esperei pelo pequeno Herb aparecer com o jornal. Era minha rotina normal da manhã, eu peguei o jornal, e ele a coca, e nós dois estávamos felizes com isso.

Joe e Lizzy entraram às 11:30. Os dois estavam contentes. Marty os presenteou com o cartão, assinado por todos nós, e contendo meu presente de quinhentos dólares. Não era muito, mas era tudo que eu tinha na bolsa.

Eles abraçaram quase todos, e o cômodo inteiro estava flutuando com uma energia mágica que emanava dos dois. Eu cantei muitas musicas enquanto eles dançavam, e ela teve que dançar com todos os “garotos.” Foi uma recepção maravilhosa, mas oleosa, de casamento.

Eles foram embora de tarde, desalinhados e cansados, mas ridiculamente felizes. Enquanto eles iam, um segundo milagre aconteceu. Lizzy se inclinou e beijou a boca devastada de Joe apaixonadamente. Ela simplesmente olhou em seu olho restante, e o beijou lentamente como se fosse a coisa mais linda do mundo. Isso chocou a todos. Não o beijo em si, mas o que seus lábios fizeram antes que me encantou. Ela distorceu sua melhor característica para combinar com seu parceiro. Foi sua escolha, sua vontade de mudar para que seu beijo funcionasse que me tocou tão profundamente. Ela estava escolhendo mudar sua melhor característica para se moldar para um homem cheio de cicatrizes e feio. E era sua escolha.

Depois deles irem embora, nós cantamos musicas até fechar, e eu fui para casa ponderar a escolha do amor. Ela havia escolhido voltar, escolhido amar ele apesar de sua deformação, e escolhido deformar seu beijo para combinar com o dele.

Eu não tinha escolha além de amar Jasper. E as escolhas que eu fiz para encontrá-lo não me ajudaram muito. Eu viajei pelo país em busca dele, Eu andei em cada rua por centenas de cidades, eu olhei em milhares de janelas, e sem beneficio nenhum. As escolhas que tinham me trazido aqui eram as que eu tinha feito para mim, para me fazer um ser melhor. Isso foi através da faculdade, amizade, e Emily que eu vim aqui. Estranho.

Quarta estava incrivelmente chuvoso, o que me alegrou mais ainda. Eu me encontrei pulando em baixo do guarda-chuva enquanto Marty me deixava entrar.

“Ei Alice. Você parece um gato que pegou um rato hoje. É bom te ver tão feliz. Então, quer o de sempre hoje?” ele me cumprimentou.

Eu podia ouvir o som pesado de chuva contra o teto.

“Claro, Marty, o que mais eu comeria?”

“Bem, eu amaria ver você comer um Philly cheesesteak. Isso botaria alguma carne em seus ossos.” Ele sempre queria que eu provasse novas coisas. Geralmente coisas grandes. Um Philly cheesesteak seria difícil de esconder até na bolsa enorme.

Um sino tocou, e eu fiquei tensa como sempre, mas era somente Herb usando seu chapéu grande e xadrez. Ele olhou ao redor e sorriu timidamente enquanto ele caminhava para mim segurando outro jornal para mim. Nós trocamos o jornal pela bebida, e eu virei para ver os outros fregueses que entravam.

Já que estava chovendo, o lugar estava enchendo rápido. Pelo meio dia, quase todo lugar estava tomado. Os dois bancos pertos de mim eram os únicos vazios, como sempre.

“Talvez ele venha hoje Alice. Não desista dele,” disse Dom enquanto ele sentava em seu banco no canto. Ele usava seu chapéu velho da Primeira Guerra. Eu sorri em retorno. Eu podia ouvir os garotos discutindo enquanto começaram a contar velhas historias de guerra.

“Você vai cantar para nós hoje, Alice?” pediu Looney enquanto ele passou sacudindo a chuva de seu casaco velho.

“Claro Looney, só me deixe pedir algo e e eu penso sobre isso.” Minha voz era clara e feliz, mas eu estava ocupada tentando achar a musica certa para o dia. Eu queria algo especial para comemorar o milagre de um beijo torto, então eu estava pensando bastante enquanto eu ia para a caixa de musica.

Mas, eu não cheguei nela. Eu não podia me mexer ou falar ou pensar. Eu não podia fazer absolutamente nada porque naquele momento um freio de ônibus guinchou, e o universo saiu de seu lugar.

 

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