Singularity – Capítulo 8

 

Família, mais ou menos

Eu fui me encontrar com o advogado na terça feira porque era um dia de neve, e a única precaução que eu tinha que tomar era manter minhas mãos no aquecedor na sala de espera, para aquecê-las. Mr. Washburn era muito parecido com Herbert Schlitz na aparência. Ele não era muito de se olhar, mas, de acordo com Herbert, ele sabia o que estava fazendo. Eu tinha levado quinhentos dólares comigo para pegar mais alguns documentos. Ele olhou para mim em choque enquanto eu entrava e então um sorriso torto se espalhou pelo seu rosto. Foi estranho.

“Você deve ser Alice Charles. Herbert não lhe fazia justiça com a descrição dele. Você é a vampirinha mais lindinha que eu vi por um bom tempo. Eu vou precisar conversar com aquele safado, ele tem escondido o tesouro de mim,” ele falava devagar enquanto olhava para mim.

Vampira? Como ele sabia? Eu me senti ficar rígida. Nós deveríamos matar qualquer humano que soubesse sobre nós, e se eu o matasse, eu jamais conseguiria minha identidade falsa.

Então eu vi como ele me olhava, e percebi o que ele quis dizer. Vampira era uma palavra usada para uma mulher perdida, uma prostituta. Eu não podia decidir se ria em alívio ou se rasgava a garganta dele por nojo, mas o desejo por documentos legítimos superaram o desejo de tirá-lo desse mundo. Além disso, esse homem era nojento, e eu não queria nenhuma parte dele em mim.

“Podemos passar para os negócios?” Eu falei em minha voz mais indelicada. “Eu estou um tanto ocupada e preciso dar um jeito nisso.”

Além de não querer estar na presença dele por nenhum momento além do necessário, eu tinha um dia muito ocupado pela frente. Eu tinha compras planejadas. Meu chefe me mandou fazer compras. Que trabalho maravilhoso.

“Eu tenho a sua certidão de nascimento planejada. Alice Charles, nascida em 1905 em Nashville, Tennessee. O que mais você precisa?”

“Eu gostaria de mais alguns certificados de nascimento, e , hum… O que mais você recomenda?”

“Isso depende do que você esteja planejando fazer.”

“Vamos dizer que eu gostaria de viajar, mas usando mais de um nome,” eu comecei, ponderando sobre meu futuro. Eu mesma não tinha certeza do que eu precisava, mas se o trabalho que eu tinha se tornasse perigoso ou se – Deus me livre – eu cometesse deslizes de novo, eu gostaria de poder me tornar outra pessoa rapidamente.

“Você gostaria de ir à escola durante as suas viagens, ou arrumar um emprego? Históricos escolares custam mais, mas eles ajudam.” Ele estava agora muito  eficiente, e obviamente ele tem feito esse tipo de trabalho já por um tempo.

“Sim, históricos seriam úteis. Eu tenho quinhentos comigo, e eu posso trazer mais se for necessário. Quanto cada identidade vai me custar?”

“Para certidões de nascimento e histórico de colegial, trezentos. Históricos de faculdade são mais cento e cinqüenta,” ele disse enquanto escrevia uma lista do que eu precisava.

“Ok, vamos ver, dois conjuntos de identidade com certificados de nascimento, históricos de colegial, e um histórico de faculdade. Cada conjunto de um estado diferente. Faça-os de forma que eu tenha pelo menos vinte anos, por favor. Quando eles vão ficar prontos?” Eu teria três identidades, e isso deveria ser suficiente para qualquer situação. Minha mente estava considerando a palavra faculdade.

“Uma semana. Eu preciso saber se você tem algum nome que queira usar, e o que você quer no seu diploma de faculdade.” Ele estava escrevendo furiosamente agora.

“Eu não me importo com os nomes ou os estados. Por favor faça meu diploma em algum curso normal para uma mulher.” Como eu iria saber quais diplomas eram oferecidos?

Eu entreguei meus quinhentos dólares ao Sr. Washburn, e fiquei de pé para sair. Esse homem era muito bom no seu trabalho, não me surpreende que ele seja usado por tantos homens de negócios. Ele teria sido uma boa fonte de informações se eu não tivesse sido tão enojada pelo seu comportamento.

Talvez eu deveria deixá-lo flertar comigo um pouco, e então eu poderia ver a reação dele ao meu tipo de mau comportamento. Isso pode ser um tanto interessante.

“Só um segundo, querida. Eu apenas quero saber, o que uma boneca como você está fazendo se metendo com caras como esses? Você poderia ter qualquer coisa que quisesse, docinho. Esses caras podem não valer à pena.”

“Eu sou uma garota crescidinha, e posso cuidar de mim mesma,” eu sorri de volta. A força total dos meus dentes tiveram o efeito certo, e ele quase parou de respirar.

Enquanto eu andava pela neve em direção às boutiques, eu pensei sobre o alerta dele. Ele estava certo; talvez não valesse à pena.

Durante os dois meses seguintes, eu comecei a trabalhar em uma teoria que eu tinha sobre minhas visões. Eu agora era habitual nas reuniões, e Herbert estava muito feliz com meu trabalho, então eu senti que esse era um bom momento para eu usar minhas visões para ver o futuro do mercado de ações. Parecia que eu podia ver coisas razoavelmente claras no futuro, uma vez que as decisões estavam tomadas, e o mercado de ações – tão instável e difícil de se ver antes – agora, estava decidido. Na última reunião de Março, eu decidi que iria tentar ver quais decisões funcionariam, comparando a visão ao que realmente aconteceu no mercado.

A reunião começou do mesmo jeito, com a chata da Greta, homens olhando, e mulheres irritadas. As mulheres estavam particularmente irritadas porque agora eu agora estava usando um vestido especialmente adorável. O vestido justo, cor de salmão, era perfeito em mim, e eu sabia disso.

Assim que eu me sentei ao lado de Herbert, eu tentei direcionar minhas visões quando decisões eram tomadas. Eu rapidamente fiz uma anotação delas do lado do bloco de papel, para que eu pudesse ver o que funcionou e o que não funcionou no dia seguinte. Era muito difícil tentar escrever e ter uma visão ao mesmo tempo, mas eu estava razoavelmente com prática ao final da reunião.

Eu sorri deslumbrantemente enquanto devolvia todos os casacos e esperava Herbert me pagar. Eu amava observar os homens cambaleando pelo corredor quando eu fazia isso. Herbert veio abruptamente e perguntou, “Então, o que são todas as anotações no papel? Você está jogando seu próprio jogo, ou o que?”

“Não, não é um jogo,” eu respondi rapidamente, e então dei a ele a razão mais verdadeira para as anotações extras. “Eu apenas anotei o que eu pensei que poderia funcionar, e o que poderia não funcionar. Veja, nenhum dano foi causado. Eu apenas não acho que algumas das idéias deles tenham muito mérito, e eu queria ver se eu estava certa, ou se eles estavam.”

Eu esperava que ele ficasse nervoso, mas ele apenas riu. “Ok boneca, se você acha que é tão boa, precisamos encontrar um peixe maior para nadar conosco. Vou te dizer, eu vou acompanhar, e se você estiver oitenta por cento certa, eu vou te dar trezentos dólares.” Ele riu de novo.

“Fechado!” Eu disse. “E se eu for tão boa quanto eu acho que eu sou, eu quero um aumento permanente.”

“Ok, docinho, o que você disser,” ele falou como se eu fosse uma criança. Ele saiu balançando a cabeça, mas eu saí exuberante porque eu sabia que as visões tinham sido claras como cristal, e verdadeiras.

Herbert veio até a casa na tarde seguinte. O rosto dele estava vermelho e um pouco doentio, como se ele tivesse corrido uma maratona de terno.

“Bonequinha, eu vou fazer de você uma milionária! Você acerta o mercado em todas. Todas as chamadas! Nós definitivamente vamos atrás de peixes maiores, e você e eu seremos sócios.” Com isso, ele jogou trezentos dólares na mesa, sorrindo de orelha a orelha.

“Eu apenas as digo como eu as vejo, chefe,” eu sorri de volta. “Eu não posso sempre dizer o que vai e o que não vai funcionar, então não fique muito animado, mas funciona muito bem às vezes.”

“Bem, o que quer que você esteja fazendo, continue. Ei, mãe, aposto que você não pode nem imaginar o que a pequena Alice fez noite passada…” Eu ele correu para dentro do salão para compartilhar as boas notícias.

Eu estava excitada que as minhas prestativas e chatas visões tenham funcionado bem. Isso abriu um jeito totalmente novo para trabalhar e para ver o mundo. Eu podia focar no mundano e ainda procurar no futuro por algumas coisas.

“Alice!” Edwina me chamou da porta do salão, “Alice, venha aqui e me conte você mesma como fez aquilo.”

“Oh Edwina,” Myrtle murmurou, “isso não é maravilhoso? Pense no homem que ela pode arrumar agora.”

Na próxima segunda, eu tinha um guarda-roupas novo todinho escolhido, estava encarregada dos estoques da Edwina, e estava indo para o centro da cidade, para o Plaza Hotel para uma reunião com o “peixe grande” do Herbert. Esses eram os chefes dos homens das outras reuniões, e Herbert estava tão nervoso quanto um gato em um telhado enquanto íamos no carro dele para lá. Eu gostava de seu carro, e já estava fazendo planos de comprar um para mim mesma enquanto ele segurava a porta para eu entrar.

“Não encare nenhum dos chefes, ou as mulheres deles,” ele começou a falar as instruções assim que começamos a nos mover. “Você está linda, então isso é bom. Realmente, você está tão bem quanto os outros. Sim, e isso vai ajudar. Apenas mantenha sua cabeça abaixada e aja como se fosse minha sócia e não uma recepcionista, entendeu? Tenha certeza de escrever tudo, ok? Não deixe-os ver as marcas no papel dessa vez. Eu juro, alguns deles tem visão de raio-x.” Ele estava suando. Isso iria ser interessante.

“Porque você está tão preocupado, Herbert? Nós fizemos isso uma dúzia de vezes, então qual a grande coisa agora?”

“Esses caras jogam pesado. Ele não mandam só no mercado de ações, eles comandam a cidade. É a minha vez de informar à eles, e é uma ótima hora de deixar você ver o que eles fazem. Se você puder pegar uma idéia do que vai funcionar ou não, nós dois podemos ser mais ricos do que a rainha da Inglaterra, e isso é um fato.” Ele de repente parou as brincadeiras e se virou para me olhar. “Você ainda parece ter apenas dezesseis anos, ou algo assim.”

Eu tinha que responder mais do que apenas uma resposta. Como eu poderia parecer ter dezesseis nessas roupas? Era um top decotado cor de rosa e uma saia preta com franjas na barra.Tanto a saia quanto a blusa justamente apertavam minha figura. Eu estava ótima. Ele obviamente tinha  um péssimo gosto e péssimas maneiras para combinar.

As recepcionistas aqui pareciam me temer de verdade, o que era estranho, então eu tentei não olhar para elas, e elas convenientemente tentaram me ignorar. Deu certo para todas nós.

“Certo, Alice, eles estarão aqui logo, então vamos nos preparar. Lembre-se, apenas anotações – sem marcas. Nós não queremos cruzar o caminho dessas pessoas.”

“Nós não estamos cruzando o caminho deles, Herbert. Eu estou apenas indicando minha opinião com suas idéias.”

“Eles podem não gostar das suas opiniões. Apenas mantenha isso entre nós,” ele sibilou.

Enquanto eu pegava o bloco e a caneta, uma visão apareceu, e deixou tensa cada parte do meu corpo. Foi rápida, mas eu reagi a ela de primeira. Quatro vampiros iriam passar pela porta no próximo minuto, e eu não tinha nem idéia do que fazer. Eu tentei segurar os rosnados que estavam rasgando minha garganta enquanto tentavam escapar. Herbert se virou para mim com um olhar curioso, e eu fingi que era meu estômago e fiz uma careta. Então, eu me virei para ver a porta, imaginando se eu deveria correr ou ficar e proteger Herbert. Eu acho que eu iria preferir correr.

Eles entraram na sala como uma tropa de modelos, andando perfeitamente e usando as roupas mais esquisitas que eu já vi. Seus olhos eram pretos, e eles depararam comigo assim que entraram na sala. Eu estava tensa para lutar ou correr, mas eles apenas sorriram curiosamente em harmonia. Eles me olharam dos pés à cabeça, e então cada um focou nos meus olhos; meus olhos mel escuro.

“Bem, quem nós temos aqui?” o vampiro da frente perguntou à Herbert. Ele estava relaxado e a sua voz não trazia nem um pouco de alarme ou preocupação.

“Olá Sr. Simpson. Essa é Alice Charles, acabou de chegar de Nashville. Ele ajudou minha tia quando meu tio morreu, então eu dei à ela um emprego na cidade grande,” a voz dele denunciava apenas um pouco do medo que ele estava sentindo agora.

“Ela ajudou sua tia?” perguntou a alta e atraente mulher de cabelos pretos que tinha seu braço entrelaçado no homem. Ela tinha um ligeiro sotaque francês. “Isso é tão bondoso de sua parte, querida. Você gosta da cidade?”

“Eu gosto bastante de Nova York,” eu respondi educadamente que pude. Eu forcei minha voz a ficar calma e serena, o que não era uma tarefa fácil quando uma parte razoavelmente grande da minha mente estava em pânico.

“Você já viu muito da cidade?” perguntou a outra mulher, de cabelos muito vermelhos. “Eu adoraria fazer um tour com você no meu carro. Eu conheço alguns pontos turísticos muito interessantes,” ela sorriu para mim como se estivesse alegremente discutindo uma viagem com uma boa amiga.“De fato, eu insisto que te mostremos alguma coisa essa noite.” Dessa vez a vocês dela segurava uma leva insinuação de uma ameaça.

“Eu já vi uma boa parte, mas talvez você possa me dar algumas dicas de lugares turísticos, depois da reunião,” novamente minha voz não denunciou meu pânico, muito. Eu permaneci calma enquanto tentava pensar em um jeito de sair desse prédio, mas eu sabia que com quatro vampiros na sala esperando ou para me conhecer ou para me despedaçar, tanto faz, eu não tinha chances de escapar.

“Sim, depois da reunião seria adorável,” disse a primeira mulher, com um sorriso tão lindo que poderia ter parado um trem.

Era quase impossível me focar no que eu vim fazer. Quase tomou toda minha concentração apenas para escrever as anotações, mas eu ainda assim tive uma boa visão que me disseram quais planos funcionariam. Esperançosamente, aquilo seria suficiente para Herbert. Eu não sabia realmente se eu o veria novamente depois dessa noite.

Muito rápido, a reunião acabou, e eu entreguei as anotações para Herbert. Eu apenas toquei os poucos planos que eu vi que iriam funcionar e acenei para ele, e ele piscou de volta.

Como se isso não fosse notável.

“Por favor, avise que eu vou sair até tarde essa noite,” era tudo o que eu podia reunir em uma forma de adeus.

“Sim, sem problemas, e boa sorte… É bondoso dos Simpsons se interessarem tanto em você,” ele sorriu e se virou para sair, nem um pouco consciente da experiência de quase morte que ele teve.

“Bem, você é uma surpresa inesperada,” começou o vampiro líder, Paul Simpson, enquanto nós entrávamos no grande carro. A mulher francesa ao lado dele foi apresentada como sua esposa, Annette. O silencioso e grande homem era Greforio Bonacchi, e a mulher loira era sua esposa, Marianne. Como tantos em Nova York, nenhum deles nasceu nesse país.

“O que há de errado com seus olhos?” Perguntou Gregório, com um grosso sotaque italiano.

“Eu bebo de animais ao invés de humanos,” eu disse em uma voz apressada. Eu não queria que eles pensassem em mim como uma ameaça de forma alguma.

“Você o que?” Marianne arfou enquanto um olhar de choque e de nojo cruzava o rosto dela, e era espelhado pelos outros. “Coitada de você. Você é alérgica à humanos?”

“Não, eu apenas não quero matá-los, então ao invés disso eu me alimento de animais selvagens. Algumas vezes eu pego uma vaca ou um cavalo, mas são muito ruins de se comer, então eu vou para fora da cidade todo final de semana e me alimento lá.” Eu estava balbuciando.

“É uma cidade grande, e nós podemos ceder alguns dos humanos pra você. Por favor, se sinta à vontade para se alimentar o necessário contanto que você não exagere.” Aparentemente Paul pensou que eu estava recusando humanos porque eu estava com medo de me alimentar no território deles.

“Não, eu realmente não como humanos de jeito nenhum. Eu não sinto o gosto de sangue humano há três anos,” eu expliquei rapidamente.

Eu não sou uma ameaça, eu não sou uma ameaça, eu repetidamente falei em minha cabeça.

“Então, você realmente se alimenta de animais por escolha. Você acha eles melhores? Isso não te deixa fraca? Você não fica doida com a sede quando você está entre humanos?” Annett superou seu olhar de nojo, e estava queimando de curiosidade.

“Eu não acho que eu seja nem um pouco mais fraca, mas eu ainda tenho sede de sangue humano. Algumas vezes, é um tanto quanto esmagadora,” eu me senti bem em admitir isso, “mas eu sou muito cuidadosa quanto à minha respiração, e eu posso lidar com a maioria das situações.” Na última parte eu estava quase me vangloriando. As suas expressões incrédulas me deixaram consciente que minha simples escolha de refeição os impressionou.

“Bem, então… quando você chegou à cidade?” Marianne perguntou em uma voz de alguma forma amigável. Talvez eles não iriam me despedaçar ainda.

“Agosto passado. O homem para o qual eu trabalhava morreu de ataque cardíaco, e eu trouxe a sua viúva para Nova York para viver com a irmã dela. Eu tinha trabalhado para o casal por dois anos, depois que eu parei de caçar humanos. Eu precisava de um emprego, já que eu não ia mais pegar dinheiro das vítimas. Agora, eu vivo em um quarto no sótão e tomo conta das irmãs durante o dia.”

“Você se importa com humanos?” Gregorio suspirou.

“Sim, eles são muito gentis comigo e me deixam morar lá de graça. Eles são como minha família.” De alguma forma, nessa sala cheia de gente do meu tipo, toda essa coisa de uma vampira vivendo com irmãs viúvas estava soando mais do que ridículo.

“Oh. Bem. Você é cheia de surpresas, não é, Alice?” Paul perguntou.

Você não tem idéia.

“Porque você não vem conosco, nós vamos caçar nas docas essa noite? E então você pode nos contar sobre sua preferência incomum de vida no caminho Nós podemos te informar sobre os grupos em Nova York. Nós temos algumas regras aqui, e eu não quero que você se machuque.” Novamente, a ameaça estava lá embaixo da aparência, mas Paul deixou claro que na verdade não havia escolha para mim.

“É muito gentil da sua parte,” eu sorri educadamente para ele. “Eu não tenho estado entre outros vampiros por quatro anos, e eu amaria conhecer vocês.” Eu acho que quis dizer isso, também.

O carro era um Rolls Royce, e era a coisa mais legal que eu já estive dentro. Ele voava pelas ruas ao controle de Gregório, que estava finalmente parecendo feliz e relaxado, atrás do volante. Ele era um vampiro enorme, forte, com pele pálida cor de oliva, e cabelo preto ondulado. O rosto dele me lembrava antigas estátuas romanas que eu vi, porque ele tinha a mesma mandíbula angular, e nariz dominante e perfeito. Eu esperei dentro do carro enquanto eles se alimentavam na favela perto da siderúrgica. Eu senti um pouco de culpa pela situação, mas ainda não havia nada que eu pudesse fazer, a não ser não caçar para mim mesma. Enquanto eu tava sentada lá, eu tentei ver meu futuro, ou mais precisamente, se eu tinha um futuro. Logo antes dos outros voltarem, eu me vi claramente entrando escondida pela janela do sótão assim que começou a amanhecer.

Útil. Eu nem sabia que aquela janela podia ser aberta.

Eles voltaram sem nem mesmo uma gota espirrada nas suas roupas perfeitas. Mais impressionante ainda, eles nem mesmo tinham uma mancha da camada espessa de fumaça e graxa que tornava tudo no meu raio de visão numa cor de carvão cinza. Fazia tanto tempo desde que eu vi um vampiro de verdade que eu quase gritei com seus agora chocantes olhos vermelho-escarlate.

“Então, você não conhece seu criador, você foi ajudada por um casal de nômades, e você trabalha com humanos em empregos esquisitos,” Paul estava reafirmando a breve história da minha vida que eu tinha contado para eles. Novamente, eu não mencionei as visões.

“Sim, é uma história triste e solitária, mas verdadeira,” eu tentei soar melancólica. Era realmente era um tanto solitária.

“Bem, eu acho que você até se saiu bem com tão pouca orientação,” disse Annette. “Você diz que você trabalhou no mundo da moda? Que ótima escolha!” Eu poderia dizer pelas roupas dela e pelo entusiasmo, que nós éramos muito parecidas quando o assunto eram roupas. Ela era uma mulher verdadeiramente linda, e a vampira mais bonita que eu poderia imaginar. Ela tinha longas e graciosas pernas, e um jeito de se mover que desafiava a própria gravidade. Seu rosto pálido era cercado por um volumos cabelo castanho que ia até a cintura.

“Foi só um acidente, realmente, mas um muito vantajoso. Eu posso fazer minhas próprias roupas, fazer o design de quase tudo, e eu até falo espanhol.” Todos eles riram disso. Todo mundo sabia que as fábricas clandestinas de Nova York eram cheias de imigrantes recentes de Porto Rico e de Cuba.

“Então como você foi de moda para finanças?” Perguntou Paul. Seu cabelo castanho avermelhado cercava uma mandíbula forte e uma testa grande. Seu rosto parecia irradiar força.

“Outro acidente. Como eu contei a vocês, o sobrinho da Myrtle é um financeiro, e a mãe dele honestamente, é melhor que ele nisso. Ela me ajudou a arrumar um emprego com ele. Eu gosto do mundo das finanças quase tanto quanto moda.” Quase.

“Bem, se você é um pouco boa em ações, tenho certeza que você vai encontrar um lugar bem-vinda entre nós em Nova York. A maioria dos vampiros aqui tem pesados investimentos no mercado de ações,” disse Paul.

“Talvez ela tenha dom em dinheiro,” sugeriu Gregório.

“Dom em dinheiro? O que isso significa?” Eu realmente não tinha tanto dinheiro. Ainda.

“Muitos vampiros possuem dons,” explicou Annette, “alguns podem ver mentiras, outros podem lutar, e alguns podem ver coisas que nem estão lá. Talvez você tenha um dom ou talento para dinheiro.”

“Melhor manter quieto se ela tiver. Os Volturi iriam amar esse,” Gregório riu.

“Os Volturi iriam querer meu dom?” Eu perguntei com a minha voz aumentando um oitavo o tom. O pensamento dos mais poderosos fiscais das regras na terra estarem interessados em mim por causa do meu dom me causou pânico.

“Você está brincando? Quem não ia querer ter isso no seu grupo.” Marianne falou. Com o cabelo vermelho profundo, e apenas um pouco mais alta que eu, ela parecia uma fadinha.

“Vampiros com dons são disputados em áreas menos civilizadas,” disse Paul, “aqui você pode usar seu dom livremente, mas se você escolher nos ajudar, bem, você teria a cidade toda na palma da sua mão. Mesmo assim, você vai querer manter isso para si mesma. Há clãs muito piores do que os Volturi, acredite em mim. Você não precisa anunciar nenhum dom que você tenha.”

Nós chegamos à casa espaçosa deles em Long Island, que não era tanto uma casa e sim um castelo que foi feito em estilo de uma mansão francesa, obviamente escolhida por Annette.

“É adorável,” eu suspirei.

“Obrigada. Nós queríamos algo que nos lembrasse nossa casa. Você sabia que eu era uma bailarina durante a primeira parte do reinado de Louis XV? Eu costumava dançar em lugares como esse.” Ela acenou suas mãos em direção à casa. “Eu fui transformada durante as guerras de clãs que levaram à miséria antes da Revolução Francesa,” explicou Annette.

“Guerras de clãs causaram a Revolução Francesa?”

“Oh, mas é claro. A morte e receio deveriam ter sido causados pelas condições precárias e pela fome, mas a causa real era a guerra entre os clãs de Paris. Os Volturi eram a única coisa poderosa o suficiente para parar o massacre, mas as pessoas estavam em um humor rebelde quando os Volturi intervieram. Você não iria acreditar no tanto de eventos humanos, especialmente os ruins, estão relacionados à questões de vampiros.” Ela sorriu enquanto pegava meu casaco e me levava para a enorme sala de estar. Eu dei à lareira acesa uma certa distância, só por precaução.

“Você disse que haviam algumas regras para ser um vampiro em Nova York. Porque você não me conta sobre essas primeiro, por favor? Porque eu realmente não quero quebrar nenhuma.” Eu ainda me sentia em menor número.

Eles se sentaram, cada um com seu casal, nos sofás e congelaram como estátuas. Eu notei que os dois pares se sentaram tão perto um do outro  que parecia que eles estavam ambos encravados em uma pedra, e conectados ao centro. Uma enorme solidão me atingiu enquanto eu observava os casais interagirem. Era como se eles tivessem sido trabalhados por algum grande mestre da arte.

“A primeira regra aparentemente não se aplica à você,” riu Paul. Ele balançou a cabeça novamente e me encarou ainda não acreditando na minha escolha. “Não se alimente demais em Nova York, e não chame a atenção a si mesma. Isso é tudo, mas é difícil para alguns novatos obedecerem. Essa cidade é tão cheia de sem-tetos e trabalhadores passageiros que é fácil exceder um pouco as coisas. Nós tivemos que parar muitos vampiros gulosos.” Eles todos ririam de alguma piadinha interna.

“A segunda é simplesmente ajudar os clãs de Nova York se você decidir ficar. Veja, nós trabalhamos juntos e próximos, para não causarmos problemas. Nós planejamos quando comer, quando e onde ir, e como estamos envolvidos no mercado, indústria, e crime.”

“Quantos clãs estão por aí?” Eu perguntei. Eu estava muito curiosa sobre quantos de nós haviam desde que eles tinham que planejar tudo com tanto cuidado.

“Sete.”

“Sete?”

“Sim, mas há também os que andam sozinhos, e isso faz um total de vinte e dois de nós com você aqui. Então, você pode imaginar o quão cuidadosos nós temos que ser para permanecer sem ser detectados. Somos muito cuidadosos com novatos, porque eles podem causar muito dano em pouco tempo.

“Foi nisso que você entrou, Alice. A comunidade de Nova York não é uma coisa fácil de manter junta, e cada clã e cada um que anda sozinho deve fazer a sua parte para as coisas funcionarem. Você deve vir quando há um problema para lidar. Se outro clã ou individual tentar causar problemas ou tentar entrar na cidade sem permissão, nós vamos todos lutar para proteger o que é nosso.”

“Com que freqüência isso acontece?” Eu perguntei imaginando. Vince e dois vampiros na cidade, a idéia hesitava na minha mente.

“Uma vez por ano mais ou menos,” Gregorio respondeu. “Nós normalmente precisamos lidar apenas com individuais, mas, ocasionalmente, duas vezes por década mais ou menos, nós precisamos lutar com um clã intencionado a se apoderar.” Ele deve ter visto o choque no meu rosto, porque ele adicionou com um sorriso, “Não se preocupe, isso não é perigoso, apenas divertido. “Quando nós todos trabalhamos juntos, é como um evento esportivo. Ivan de Manhattan e eu temos registros de quem destruiu mais intrusos.”

“Oh, hum, isso parece ser divertido.”

“Os clãs estão espalhados por toda a área metropolitana de Nova York, mas você é a única vivendo com humanos. Isso deve ser muito estranho para você. Como você faz isso?” Perguntou Marianne.

“Não é tão difícil quanto você pensa. Eu estou tão acostumada com o cheiro que eu raramente tenho problema. Meu maior problema com eles é que eles estão tentando me arrumar um casamento,” eu expliquei.

Como se fosse uma deixa, os quatro vampiros rugiram com uma risada. “Eu iria pagar muito pra ver isso,” Gregorio riu.

“Eles realmente são todos muito doces. Myrtle é a única pessoa com quem eu passei algum tempo,” eu disse, e minha voz deve ter mostrado a minha afeição por eles.

“Ah, mas o que você vai fazer quando esses dois se forem? Eles não estão velhos agora?” Annette perguntou gentilmente. “Você precisa se lembrar, as vidas deles passam rapidamente, e nós continuamos sempre os mesmos. Talvez você devesse pensar no seu próprio movimento antes que chegue a hora.”

“Eu sei que eles não tem muito tempo,” eu respondi calma. Essa era uma área que a minha mente rápida já tinha considerado com relutância. Myrtle estava parecendo cada vez mais frágil desde a morte do Hank, e eu sabia que ela só tinha mais alguns anos, se muito. “Eu estou deixando algumas identidades prontas para quando ela morrer. Eu estava pensando em viajar por aí um pouco e talvez ver os Estados Unidos.” Eu estava planejando viajar para o Sul para encontrar a parte que falta da minha vida. O pensamento dos clãs do Sul, ainda assim, me preocupava.

“Quem você usa para identidade?” Perguntou Paul. “Nós temos pessoas por todo os estados, e fora, que podem nos ajudar a manter uma identidade legal, então nós tentamos usar somente eles.”

Eu sem querer devo ter quebrado uma regra, indo em um trapaceiro desautorizado.

“O nome dele é Washburn, e Herbert me mandou até ele. Mesmo assim, ele não sabe nada.” Eu adicionei rapidamente. “Tudo o que ele notou foi meu corpo e meu rosto, mas nãos as partes mortais. Ele olhou para mim como um pedaço de carne.” Isso ainda me deixava irada.

“Você gostaria que eu devolvesse o favor?” Riu Gregorio.

Marianne estava rapidamente escrevendo uma lista de nomes em um pedaço de papel. “Memorize esses, e então se livre do papel. Essas firmas são indispensáveis para um vampiro porque eles são nossa chave para viver indetectáveis. Há nove nos EUA e no Canadá. Há três na Inglaterra e um na Suíça, e três na França e na Itália. Nós não temos nenhum no oriente porque simplesmente não é necessário, e a Rússia está uma bagunça agora, então nós não precisamos de nenhuma lá. A maioria dos vampiros está deixando a Rússia, de qualquer jeito.

Parecia que havia toda uma rede mundial de firmas de leis de vampiros. Eu observei os nomes em receio. Eram algum tipo de advogados trapaceiros treinados para isso?

“Eles sabem o que nós somos?” Eu perguntei enquanto olhava a lista.

“Oh, céus, não,” disse Marianne. “Eles são apenas advogados sem escrúpulos ou oficiais do governo que não fazem perguntas, se tiver a quantia certa de dinheiro. Lembre-se, nós não trabalhamos com a lei, mas acima dela. A maioria da Máfia pelo mundo é controlada pelos clãs de vampiros, então as coisas ilegais são fáceis para nós trabalharmos. É por isso que Gregorio está aqui nos EUA,” ela sorriu amorosamente para o grande vampiro, “ele nos ajuda a coordenar entre as organizações criminosas americanas e européias.”

“Oh. Eu não sabia que nós controlávamos a Máfia. Eu acho que você não pode ter um emprego normal com olhos vermelhos brilhantes, pode?”

Eu não tinha percebido o quanto os vampiros viviam ilegalmente, e parecia que nós estávamos envolvidos em quase todos os aspectos do lado negro da sociedade humana. Nós não apenas nos alimentávamos deles, mas nós também fazíamos dinheiro deles. Isso era tanto razoavelmente engraçado quanto completamente doentio.

“Sabe, isso tudo seria mais fácil se alguém escrevesse um manual de instruções,” eu resmunguei. “Quem sabia que haveriam tantas regras para ser uma encarnação do mal?”

Todos riram. “Ela teve uma idéia brilhante,” Marianne riu. “Nós deveríamos fazer um Manual de Boas Vindas ao Mundo dos Condenados. zvou começar agora mesmo.”

“Eu posso ver que nós te demos muito para se pensar, Alice.” As palavras de Paul eram suaves, mas ele usou um tom de autoridade. Eu percebi que ele provavelmente era o líder de todos os clãs da cidade. “Você é muito bem vinda aqui, apenas siga as regras e nos ajude, e você vai achar que Nova York é uma cidade muito aconchegante para se viver.”

Nos ajudar. As palavras desencadearam um pensamento. “À propósito, eu acho que a sua manipulação do mercado vai funcionar melhor se você conduzir trabalhar com milho. Não olhe para as fábricas como um investimento à longo prazo porque eu acho que automóveis e aviões vão render mais,” eu disse enquanto eu assinalava a lista na minha cabeça. Pronto, eu ajudei se eles seguissem o meu conselho.

“Interessante,” disse Paul. “Obrigado, nós vamos considerar isso. Agora, deixe-nos te mostrar como se viver em Nova York ao estilo de vampiros.”

 

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