Singularity – Capítulo 6

 

Uma boa vampirinha

Levou-me várias semanas de treinamento, e um acidente muito ruim, mas eu estava pegando o jeito de estar perto dos seres humanos, se eu quisesse, eu poderia ter conversado com eles. Eu ainda não tinha ousado  tentar isso, porque iria precisar respirar se tentasse falar. Eu esperava ir de compras em breve. Desde que eu tinha visto Makenna com uma sacola de compras, a vontade de adquirie roupa nova era muito difícil de resistir. Mas primeiro eu queria tentar caçar um veado. A visão dos veados de pêlo claro era mais constante do que nunca, e talvez isso significasse que eu poderia tentar.

Estava um inverno forte agora, e eu ia muito para as florestas de Tennessee para tentar caça veados. Não poderia ser muito difícil se os homens gordos e bêbados conseguiam. Eu tinha roubado um par de calças e uma grossa camisa da minha última vítima. Elas pareciam horríveis em mim, mas seria melhor que um vestido. Prometi a mim mesma que um dia eu teria roupas que me vestissem adequadamente. Como sempre, eu tinha que dar uns nós em tudo até que coubessem em mim.

Fui para a floresta e deixei os meus sentidos me levarem. Eu sabia como os veados cheiravam – Makenna estava certa, eles não cheiravam bem – e eu tinha certeza de que eu poderia encontrar alguns aqui. Demorou mais tempo do que eu imaginava, mas eu finalmente consegui captar o aroma.

Eu quase voltei, mas respirei fundo e segui o cheiro. Só levou apenas alguns minutos para encontrar o rebanho, e eles fugiram assim que entrei em vista. Comecei a perseguição. A corrida foi revigorante, e este estilo de caça era muito mais divertido do que comer seres humanos. Os veados eram velozes, e rapidamente me evitaram, mas fui persistente e tão rápida quanto eles, e eu amei a corrida. Finalmente, um dos veados mais jovens virou-se e estava dentro da distância de ataque. Rapidamente eu pulei em seu pescoço. O animal caiu ao chão comigo em cima, bebi seu sangue quente. Bebi até que ele ficasse seco.

Não é tão ruim assim, eu menti para mim mesmo. Não, é horrível, e agora cheiro como um veado.

Era melhor admitir a verdade. Se eu não tivesse visto os outros dois fazendo isso, eu teria desistido depois de matar o meu primeiro animal. Isso iria demorar um pouco para me acostumar, mas pelo menos eu estava cheia. O importante, nenhum humano havia morrido.

Fiz um abrigo para mim mesma em uma pequena caverna, e permaneci na floresta até o final da primavera. Eu nem sequer tentei ir perto de seres humanos. Bebi sangue dos animais – ursos, veados, lobos – até que eu tinha certeza de que poderia sobreviver deles. Os carnívoros saboreavam muito melhor do que os herbívoros, mas eles eram muito mais difíceis de encontrar.

Durante esse tempo, a visão do importante homem loiro também começou a mudar e se tornar mais focada. Eu ainda não consegui ver seu rosto claramente, mas eu podia ver sua pele pálida e seus olhos negros e avermelhados. Ele era um vampiro, eu tinha certeza disso. Seus olhos eram de algum modo assombrado e muito tristes, e eu desesperadamente queria fazê-lo feliz. Mais do que a necessidade de comer ou viver, eu sabia que precisava estar naquela sala cheia de pessoas quando ele entrasse pela porta.

Quando, finalmente, o ar quente de primavera trouxe as primeiras flores do ano, eu voltei para onde tinha escondido minhas poucas posses: meu vestido, espelho, escova e dinheiro. Eu fui a um córrego e tomei banho, coloquei o meu vestido, e comecei a escovar o meu cabelo curto na frente do espelho. Então eu congelei. Meus diabólicos olhos vermelhos eram de uma bela cor castanho mel. Eu não podia acreditar. Eu ainda tinha dentes afiados, veneno mortal, e minha pele ainda refletia o sol como um milhão de gotas de água, mas meus olhos pareciam tão humanos. Gritei e felicidade e comecei a saltar de alegria. Agora era hora de comprar um vestido.

Levei quatro dias para escolher uma cidade que parecia grande o suficiente para ter uma loja de roupas. Eu cacei até ficar prestes a explodir, de modo que eu não ficasse com sede, e andei com lenta deliberação e sem respirar na cidade por várias vezes, preparando-me para a loja. As pessoas ainda estavam me olhando com olhar de curiosidade ou de assustados, mas ninguém gritou.

Meu corpo todo reagiu por estar em uma cidade. Meus músculos estavam tão apertados que quase me impossibilitou de andar. Minha boca estava tão cheia de veneno que se eu tivesse sorrindo, acho que o teria jogado para fora. Minha garganta estava tão seca que eu não tinha certeza se poderia falar, e ela queimava muito forte.

No entanto, eu não cederia. Eu queria provar para mim mesma que havia mais do que um monstro dentro de mim. Eu queria ser como os seres humanos ao meu redor. Eu queria tanto um vestido e um par de sapatos que combinasse que doía tanto quanto a minha garganta.

Com o ultimo fiasco de minha força de vontade, abri a porta da loja de roupas e entrei. A mulher me cumprimentou delicadamente, mas seus olhos ficaram arregalados e após me dar uma boa olhada ela ficou no fundo da loja. Ela era uma mulher esbelta e negra, e seus dois filhos estavam atrás do balcão, encarando com grandes olhos.

Cumprimentei a proprietária e fui até os calçados. Estes seriam os mais fáceis, porque eu já sabia o meu tamanho, graças à Makenna. Ela mediu o tamanho do meu sapato e todas as minhas outras medidas porque ela disse que eu era muito pequena para encontrar algo pré-fabricado. A mulher simplesmente assistiu enquanto eu olhava as amostras.

“Qual é o tamanho que você gostaria de ver?”, Perguntou ela, nervosa, a uma distância de cerca de 2 metros. Sua voz quebrou no final. Charles e Makenna estavam certos, assustamos.  Isso é bom.

“34, por favor, e eu gostaria de colocá-los em mim mesma. Tenho um joanete.” Metade do meu fôlego se foi. A mulher pareceu aliviada, ela voltou, colocando três caixas no chão e distanciando-se rapidamente. Dois dos sapatos se encaixaram muito bem, então eu fiz umas rápidas contas mentais.

Os vestidos também eram apenas amostras. Ou ela iria encomendar o tamanho correto do catálogo, ou ela mesma fazia. Eu me perguntei se poderia aprender a fazer roupas como estas. A idéia me intrigou, mas por agora, iria comprar aqui. Peguei um vestido, duas saias, duas camisetas, um casaco, e dois chapéus. Eu quase não tinha dinheiro suficiente para levá-los, mas em que mais eu preciso gastar?

“Vou levar estes. Aqui estão as minhas medidas. Quando posso buscá-los?” Apenas resta mais um pouco de ar.

A mulher parecia tão aliviada por não ter que chegar perto de mim com a sua trena para tirar as medidas que ela quase sorriu quando pegou o papel, ela foi para a caixa registradora e me disse para voltar na próxima quinta-feira. Eu dei-lhe o nome de Alice Charles, a paguei pelos sapatos e paguei  metade do vestido, e sai sem ar restante. Quando passei pelo balcão as crianças olharam para mim.

“Você é a mulher mais branca que eu já vi”, disse a menina.

“Você é tão linda”, disse seu irmão mais novo.

Eu não podia deixar de dar um grande sorriso para agradecê-los pelo elogio e para comemorar a minha vitória de compras, mas o sorriso foi muito aberto – aberto demais. Ambos gritaram e fugiram.

Mesmo crianças assustadas não podiam me impedir de estar feliz. Eu estava quase saltando enquanto descia a rua, cheia de alegria pela minha realização.

Eu sabia que eu poderia fazer isso. Eu iria descobrir quem eu era, de que era feito o meu interior. Gostaria de aprender a ser a vampira Alice, e ainda ser uma boa pessoa. Eu conseguiria um emprego, aprender a fazer roupas, estar com as pessoas, e dançar. Gostaria de fazer o melhor desta vida de pesadelo em que eu tinha acordado. No fundo do meu ser, eu sabia disso.

Peguei os vestidos na próxima semana, ainda sem respirar, mas muito menos tensa. Eu não podia acreditar quão maravilhoso eles sentiam em meus braços enquanto eu os levava para fora da pequena loja. Essas eram as únicas coisas na terra que eram verdadeiramente minhas, feitas somente para caber em mim. Elas eram como a minha âncora para um mundo que tinha sido inteiramente desconhecido e fora do meu alcance. Agora, eu tinha alguma só minha Apenas minha. Ok, eu tinha comprado com dinheiro de minhas vítimas, mas eu não estava disposta a debater morais.

A roupa funcionou fez milagre com os seres humanos ao meu redor. Eu não era mais uma coisa estranha, eu era atraente para eles. Na verdade, eu estava bem melhor vestida do que a maioria deles, e poderia facilmente seduzir qualquer homem da minha escolha até sua morte, algo que não tentava com muitas forças não pensar.

Meu primeiro problema real, além de constantemente querer matar a maior parte da humanidade, era encontrar um emprego. Desde que eu não estava mais me alimentando de humanos e que eu não tinha uma renda. Eu havia acabado de terminar meu segundo ano como vampira e ainda era muito perigoso estar constantemente em torno de humanos, mas eu realmente precisava de dinheiro. Tentei pensar em trabalhos que me deixaria estar a redor de seres humanos, mas não tão perto deles. Quando as pessoas me olhavam de longe, me admiravam, mas não tinham medo. Eu descobri que o susto só vinha quando eu estava mais perto do que uns 4 metros. Então eu ainda tentava manter minha distância quando ia para a cidade para encontrar um emprego. Era muito complicado.

O meu segundo problema era que eu estava muito, muito solitária. Eu não poderia estar perto dos humanos que me cercavam, mas eu também não podia suportar estar longe deles. Uma parte de mim esperava cruzar o caminho com outros vampiros como Makenna e Charles, mas eu nunca vi nenhum. Então, na maior parte do tempo apenas andei pelas cidades, quase sem respirar como Makenna e Charles tinham ensinado, e olhava pelas vitrines.

Já na época que eu já tinha dois anos e meio, eu estava me controlando bem o suficiente para andar na grande cidade de Nashville contanto que não ficasse muito tempo em apenas um lugar. Desde que eu tinha começado a beber sangue de animais, eu tinha apenas assassinados só seis humanos, e estes foram todos acidentes. Dois deles eram homens que estavam muito bêbados, e eles ignoraram o medo e chegaram perto demais. Eles aparentemente pensavam que eu era muito linda para deixar passar. Os outros quatro estavam próximo demais, enquanto caçava. Tomou prática para escolher um bom lugar para caçar, três vezes eu cometi o erro de não ir o suficientemente longe. Fora isso a coisa de sangue de animal estava funcionando bem.

Eu fiquei perto do Smoky Mountains e vizinhança. Eu poderia conseguir um trabalho de colhedor de frutas, mas apenas em dias nublados. Isso funcionou bem, especialmente porque eu tinha uma seção inteira do pomar só para mim, mas durante a colheita era raro ter dias nublados.

Então eu tentei trabalhar em fazendas, mas animais de fazenda não gostam de vampiros. Na verdade, os animais de fazenda odeiam vampiros. Entrei no celeiro e imediatamente os animais entraram em pânico tão horrivelmente que quase destruíram o celeiro tentado fugir. As ovelhas cairam mortas onde estavam. O pobre agricultor passou vários dias tentando recuperar suas vacas e porcos traumatizados. No lado positivo, seus campos seriam bem adubados no próximo ano.

Então, eu procurei. Procurei outros da minha espécie. Eu procurei por um emprego que não iria criar pânico em um homem ou animal. Busquei em minhas visões qualquer vislumbre do homem sem nome que eu amava.

Ao início da primavera de 1923, eu estava andando por Nashville novamente em um dia chuvoso e vi uma placa em uma loja pequena e suja. Foi como um presente dos deuses.

Precisa-se de Costureira

Pagamento por produção feita – Trabalhe em casa

Aplique aqui dentro

Eu estava usando minha saia e a minha blusa, então eu sabia que estava digna o suficiente para aplicar para um emprego. Fiquei ali parade por alguns minutos e tentei ver se uma visão útil surgiria na minha cabeça, mas essas coisas instáveis não foram muito cooperativas, então respirei fundo e passei pela porta.

O velho homem e a velha mulher de dentro da loja olharam-me curiosamente enquanto eu entrava.

“Oi, meu nome é Alice Charles, e eu gostaria de aplicar para o trabalho”, eu disse, com tanta confiança quanto podia mostrar. Então com cuidado eu lhes dei um pequeno sorriso que cuidadosamente não mostrou meus dentes. Os dois sentados em suas máquinas de costura me olharam através de grossos óculos.

“E o trabalho ainda está disponível?” Eu pressionei. “Seria perfeito para mim.” A parte “Trabalhe em casa” que era perfeita, exceto, é claro pelo fato de que eu não tinha uma casa.

O velho foi o primeiro a falar. “É principalmente o trabalho à mão que precisa ser feito.” Então sua esposa terminou seu pensamento com “Você sabe fazer trabalhos manuais?” Eu observei um sotaque em sua voz nasal que me disse que eles não eram originalmente de Nashville.

Não. “Sim, mas eu preciso que você me mostre exatamente o que você quer que seja feito”. Agora eu estava quase completamente sem fôlego. Eu esperei que meus fortes e velozes dedos e minha mente rápida compensariam minha falta de experiência com costura.

“Venha aqui e me observe, em seguida faça o que faço”, disse a mulher bruscamente com o mesmo sotaque cortado. Ela tinha um tom muito profissional.

“Estamos fazendo os bordados para um vestido de casamento”, começou o seu marido.

“… E eu preciso ver se você pode fazer isso antes mesmo de pensar em te contratar”, concluiu a mulher.

Todos os casais humanos casados falavam assim?

Peguei uma cadeira, sentei-me o mais longe que pude na pequena loja, e atentamente observei a mulher bordando o punho de uma manga longa, branca, que ainda não estava conectada ao vestido. Em seguida ela me entregou, me olhando desconfiadamente. Comecei fazer com as minhas mãos o que eu tinha memorizado de vê-la fazendo. Foi bem fácil, mas eu não queria ir muito rápido porque isso poderia me entregar. Terminei o padrão que ela havia me mostrado em vinte minutos.

“Onde você aprendeu a costurar?”, perguntou a mulher depois que eu tinha completado um padrão.

Aqui. “Em casa”, sorri. Eu só tinha fôlego suficiente para poucas palavras.

“Bem, você é muito boa nisso”, a mulher disse aprovando.

“Você está contratada”, disse o marido.

Então ela continuou: “Você vai levar esse vestido, e terminá-lo até quinta-feira. Traga-o de volta para nós completamente bordado no padrão neste papel”, –

– e ele terminou”, – E então, vamos pagá-la. Quando você voltar, nós lhe daremos mais trabalho. Você entendeu?”

Concordei. Eu estava um pouco confusa por seu modo estranho de falar, e eu tinha muito pouco fôlego restante. “Sim, obrigada.”

Peguei o vestido de seda, fios, agulhas e miçangas, e corri para o único prédio vazio que pude encontrar, que era a igreja local. Sentei-me na torre do sino e costurei o resto do dia. Eu tinha terminado pela manhã de quarta-feira, mas eu não levei o vestido de volta, porque fiquei com medo de que pudesse parecer não-humano demais. Sentei-me na torre do sino, admirando o material maravilhoso e as miçangas brilhantes que eu tinha colocado no vestido. Eu adorava a sensação da seda e a aparência das miçangas como foram costuradas.

Quando voltei com o trabalho na quinta-feira de manhã, os olhos de ambos os donos brilhavam de aprovação. Quase explodi de orgulho enquanto eles corriam suas mãos sobre a minha obra e exclamavam que era o melhor que já tinham visto. Eles rapidamente encheram minha cesta com várias outras encomendas que precisava de algum tipo de trabalho manual a ser feito, e me mandaram embora. Eu rodopiava pela estrada enquanto ia para a antiga igreja com o sótão vazio e a espaçosa torre do sino. Eu não só tinha um pouco de dinheiro no bolso pelo qual ninguém teve que morrer, como eu também tinha um emprego.

“Você sabe usar uma máquina de costura elétrica?”, perguntou Myrtle, a metade feminina da Dewer’s Clothiers, na quita-feira da semana seguinte. Hank e Myrtle eram donos da alfaiataria que fazia roupas especiais sob encomenda pelos últimos 32 anos.

“Umm… eu não sou tão familiarizada com isso”, respondi. Não era uma mentira total. Bem, sim, era.

“OK, nós temos uma máquina de pedal lá trás. Eu vou mostrar-lhe como usá-la”, disse Hank enquanto se levantava para limpar a máquina de costura soterrada.

“Nos próximos dias, vamos ter muito trabalho para você” – Myrtle

“Temos uma encomenda de seis dúzias de batas escolares para a escola católica” – Hank

” Então vamos mantê-la ocupada o dia todo na loja, se você tiver tempo. ” – Myrtle

Tenho bastante tempo. Eu tenho a eternidade, pensei. “Eu posso precisar ir lá fora um pouco porque eu não gosto muito de lugares pequenos, mas eu gostaria de ficar e trabalhar”, eu disse. Eu teria de sair e reencher meus pulmões. A falta de respirar não estava me incomodando tanto quanto a falta de sentir o cheiro das coisas. Eu era tão dependente dos cheiros em minha volta que era difícil ficar tanto tempo sem eles, mas de jeito nenhum eu iria me permitir sentir o cheiro humano na pequena loja. Mesmo sem o cheiro deles, o simples fato de que estar perto de um ser humano fazia minha garganta arder de dor. Matar meus primeiros chefes provavelmente seria um mau presságio.

“Eu vou lhe mostrar como passar a linha, e em seguida é só usar o pedal, OK?” Hank começou a falar rapidamente as instruções como se eu devesse saber o que ele estava falando. Cheguei o mais perto que podia ousar e observei enquanto ele passava a linha em um padrão ridículamente complicado.

“OK, apenas sente aqui e sinta a máquina”, ele disse enquanto jogava uns pedaços de pano para mim, obviamente querendo que me acostumasse com a máquina.

“Pode ser que eu demore um pouquinho”, eu disse, enquanto tentava sorrir com confiança. Ele suspirou. Acho que não estava enganando-o. “Ummmm… eu preciso de um pequeno lembrete de como um… … ” Isso não está indo bem.

E então uma visão veio até mim. Nesta visão, eu vi as minhas costas na máquina de costura, costurando freneticamente. Observei meus pés e minhas mãos trabalhando na máquina com experiência. Quando a visão terminou, coloquei meu pé sobre o pedal, pressionado o pé de pressão, e comecei a costurar. Obrigada, visões irritantes e imperfeitas, eu disse para mim mesma. Era assim que uma visão deveria ser, não nebulosa e escura, mas cheia de informações úteis.

“A minha presença incomoda vocês?” perguntei depois de sair para uma pausa. Eu estava tão nervosa por pergunta a eles, mas eu estava realmente curiosa porque eles não pareciam ter medo de mim. “Às vezes deixo as pessoas nervosas.” Principalmente porque eles não gostam de serem comidas.

Hank e Myrtle apenas me olharam por um segundo, piscaram em uníssono por trás de suas lentes grossas, e em seguida ambos deram de ombros. Eles estavam casados e estavam nos negócios há tanto tempo que muitas vezes eles reagiam da mesma maneira e ao mesmo tempo. Era tão engraçado vê-los quanto ouvi-los.

“Eu não sei… há algo sobre você… mas eu não sei dizer. Nós somos de Nova York, do Bronx, e nada menos do que o anjo da morte nos assusta”, afirmou em Myrtle com naturalidade. Eu ri nervosamente.

“Bem… eu não sou exatamente o anjo da morte”, eu ri ironicamente, não era exatamente. “Então, vocês são de Nova York. É por isso que vocês falam desse jeito?

“Sim. Somos de um bairro violento em uma cidade muito dura.”- Hank

“E é preciso muito para assustar um novaiorquino”, Myrtle concluiu presunçosamente.

“Por que vocês foram embora?” Eu adorava fazer-lhes perguntas, porque era tão divertido ouvir as suas respostas em equipe. No entanto, eu teria de sair em breve.

“A competição era demais”, disse Myrtle. “Nova York é a capital da moda do país, e havia tantas lojas de roupas, então decidimos tentar a sorte em outra cidade, e por isso viemos para cá”

“Por que aqui?” Eu estava agora sem fôlego novamente.

“Aqui foi onde a gasolina e o dinheiro acabaram”, Hank riu.

“Você deveria visitar Nova York algum dia.” – Myrtle

“É tão vivo com as pessoas, e as modas são tão além de qualquer coisa que você poderia ver aqui” – Hank

“Que achamos que todo mundo que ame moda deveria visitar a cidade pelo menos uma vez”, concluiu Myrtle.

Naquela noite, fui para a igreja com um monte de batas para costurar. A ideia de uma grande cidade me matava de medo, mas também me fascinava. Um lugar onde as pessoas não tinham medo era bom, mas um lugar sem animais era muito ruim. No entanto, era a ideia de uma capital da moda que realmente me atraia. Enquanto eu costurava, o organista chegou para o ensaio, e me sentei no sótão da igreja perdida com a adorável música abaixo.

 

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